A defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio das redes e coletivos de comunicação foi tema de debate durante a 1ª Conferência Nacional Livre de Comunicação em Saúde, em Brasília. Estiveram presentes Marina Pitta, do Coletivo Intervozes, Cleiton Nobre, do Coletivo Mídia Ninja, e Bruno C. Dias, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). A mediação dos debates ficou por conta de Charô Nunes, das Blogueiras Negras.
Para Marina Pitta, há uma necessidade urgente em discutir a perspectiva da disseminação dos conteúdos por meio da internet com um olhar amplo e que contemple a diversidade das pessoas. “Com o Marco Civil da Internet aprovado em 2014, houve um grande avanço para o uso da internet no Brasil como, por exemplo, a neutralidade da rede. Isso significa que os provedores de acesso devem tratar todos os dados que circulam na Internet da mesma forma, sem distinção por conteúdo, origem, destino ou serviço”.
Marina alertou, também, que mesmo com os avanços do uso da internet, determinadas empresas de telefonia restringem o uso de dados apenas para alguns aplicativos limitando a abrangência de navegação para os usuários. “Como podemos dar vasão ao que os coletivos de comunicação produzem de uma forma ampla se muitas pessoas que acessam essas informações utilizam o celular para navegar na internet e não podem consumir os conteúdos. Como pensar em utilizar a internet na defesa do SUS, por exemplo, sem pautar a relação com as empresas de telefonia”, disse.
De acordo com Cleiton Nobre, do Coletivo Mídia Ninja, a forma de se fazer comunicação deve disputar a narrativa com a grande mídia. “Temos de trazer tudo para o centro do debate, a exemplo de um grupo de jovens que vivem com HIV e que tem seus tratamentos custeados pelo SUS em uma narrativa em que eles mesmos relatem as suas vivências. Esse tipo de iniciativa deve ser disseminado pelo país”, disse.
Já para Bruno C. Dias, da Abrasco, é preciso realizar ações articuladas em redes, principalmente dos grupos e coletivo de saúde para a defesa ampla da saúde pública. “Temos que pensar em redes em uma narrativa complexa. O fundamento da comunicação deve ser público, devemos abandonar as práticas que não são nossas. O sentido da comunicação deve ser contra hegemônico e pela diversidade”, disse.
Charô Nunes afirmou que a mídia formal pouco dialoga com a diversidade do país, principalmente com as mulheres negras. “Somos 52% da população e a mídia hegemônica não reconhece as mulheres negras em boa parte de sua programação. Temos que construir nossas próprias narrativas, vermos o mundo através das redes”.
Mariana Moura
Assessoria CNS