Parto Humanizado e violência obstétrica: um debate sobre equidade na tenda do CNS
Reunidas na manhã desta quarta-feira (02/08) as participantes da Tenda Maria Theresa Pacheco, discutiram sobre parto humanizado e violência obstétrica sob a perspectiva da equidade na vida das mulheres. Uma em cada quatro mulheres no Brasil consideram ter sido violentadas no parto, as estatísticas são da Fundação Perseu Abramo, em 2015. O evento é uma realização do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e integra as atividades do Seminário Internacional Fazendo Gênero 2017, na cidade de Florianópolis (SC).
Para a presidente da Associação de Doulas de Santa Catarina, Gabriela Zannela, a maioria das mulheres não possui a opção de escolher o tipo de parto que querem. “Muitas vezes, no atendimento com o obstetra, a mulher só compreende a cesariana como a alternativa menos indolor e rápida. Não é verdade, uma vez que, se estimulada e principalmente empoderada sobre as questões do seu corpo, a mulher terá a autonomia de escolher que tipo de parto ela irá querer”, disse.
Zanella resgata o papel das doulas no processo de empoderamento da mulher gestante. “É preciso ter o conhecimento sobre seu corpo e sua condição fisiológica. As doulas não são acompanhantes familiares, o envolvimento com a mulher é diferenciado, não pode estar vinculado ao hospital, ela não pode institucionalizar-se e sim estar ligada à mulher. As doulas tem a missão de defender as mulheres em sua escolha de como parir” afirma.
De acordo com Mariana Mescolotto, advogada da Associação de Doulas de SC, a questão do nascimento no país é um reflexo de como a nossa sociedade se comporta. “O fenômeno da violência do Brasil é praticada pelo próprio Estado, como a polícia, as políticas públicas, o poder executivo, entre outros. Vivemos desigualdades de classe, cor, credo, geração, por exemplo, as mulheres jovens ou com muitos filhos, têm mais chances de sofrerem violência obstétrica”, disse.
Segundo a pesquisadora e integrante do movimento de mulheres, Simone Lolatto, é impossível desvincular o nascimento com a questão dos direitos reprodutivos das mulheres e afirma que é uma questão de saúde pública. “Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que cerda de 210 milhões de gestações ocorre por ano, sendo que 46 milhões são interrupções provocadas, metade são praticadas de maneira insegura, isso rebate diretamente nos serviços de saúde, que, na maioria das vezes, não estão preparados para receber a mulheres em processo interrupção da gravidez”.
Ascom CNS
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