Indígenas do Mato Grosso do Sul aprovam propostas para 6ª Conferência Nacional de Saúde Indígena

Os indígenas Guarani Kaiowá, Terena, Kinikinaw, Guarani Ñhandiva, Kadiwéu, Atikum, Ofaye e Guató, que vivem no Mato Grosso do Sul, aprovaram na quinta-feira (07/12) as propostas que serão defendidas na 6ª Conferência Nacional de Saúde Indígena (6ª CNSI), em maio de 2019.

Entre as demandas destes povos, está a ampliação do número de equipes multidisciplinares de saúde indígena para garantir a assistência nas aldeias e acampamentos, conforme a necessidade de cada local. Eles também querem a garantia de atenção diferenciada e humanizada na alta e média complexidade, a fim de promover maior acesso da população indígena a exames, consultas e cirurgias.

O estado do Mato Grosso do Sul é o segundo com a maior população indígena do Brasil. São oito etnias diferentes, que totalizam 80 mil pessoas vivendo em aldeias, assentamentos e áreas urbanas. Em muitos territórios, a infraestrutura e o saneamento são precários, o que dificulta ainda mais o atendimento e a assistência médica.

Por isso, garantir o abastecimento e tratamento da água nas comunidades indígenas, através de parcerias com gestores municipais e estaduais, e a construção e manutenção de banheiros e fossas sépticas nas comunidades, também estão entre as propostas aprovadas.

Para o coordenador do Distrito Sanitário de Saúde Indígena (DSEI) do Mato Grosso do Sul, Fernando Souza, os espaços de participação social são fundamentais para contribuir com avanços. “Oportunizar a essas pessoas esse espaço de diálogo para avaliar nosso subsistema de saúde e a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas é de suma importância para a população indígena do nosso estado”, avalia.

A defesa do atendimento de saúde e a aprimoramento do Sistema Único de Saúde (SUS), a partir da perspectiva dos indígenas, está entre os objetivos da conferência nacional, que também visa a atualização da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (Pnaspi).

Demarcação de terras

A demarcação dos territórios indígenas é uma preocupação iminente e comum para todos os povos, que causa grande impacto na saúde. “Se o governo não demarcar nossa terra, seremos índios doentes, porque sentimos isso na nossa mente. Muitos dos nossos líderes e companheiros morreram e foram assassinados por causa disso. A terra nos pertence, a terra é nossa mãe e nossa luta não vai parar”, afirma a liderança Guarani Kaiowá Silvio Paulo.

“Nós, que vivemos em área de retomada, pensamos em milhares de coisas. Pensamos que a qualquer momento poderá vir um capanga, coisas assim. Para ter uma saúde de qualidade também precisamos da demarcação das nossas terras”, completa o indígena Terena e representante do Fórum dos Caciques do Mato Grosso do Sul, Jucelino Mamede.

Rumo à etapa nacional

 

As propostas dos indígenas do Mato Grosso do Sul foram aprovadas na conferência distrital, promovida entre os dias 3 e 7 de dezembro, em Campo Grande (MS), com a presença de aproximadamente 600 indígenas de todas as etnias. Elas foram definidas em quinze etapas locais, realizadas dentro das terras indígenas reafirmando a autonomia dos povos.

Os delegados e delegadas eleitos (as) para representarem o estado apresentarão setenta propostas na etapa nacional, divididas pelos sete eixos temáticos da 6ª CNSI, sendo: Articulação dos Sistemas Tradicionais Indígenas de Saúde; Modelo de Atenção e Organização dos Serviços de Saúde; Recursos Humanos e Gestão Pessoal em Contexto Intercultural; Infraestrutura e Saneamento; Financiamento; Determinantes Sociais de Saúde; Controle Social e Gestão Participativa.

A 6ª CNSI é promovida pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, em parceria com o Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fundação Nacional do Índio (Funai), entre outros.

 

Confira os depoimentos das lideranças indígenas do Mato Grosso do Sul

Confira o álbum de fotos da Etapa Distrital Mato Grosso do Sul

#PraCegoVer: A foto que ilustra a capa da matéria apresenta o rosto de dois homens indígenas, com cocares e adereços, que batem palmas após a fala das lideranças. A foto do texto apresenta a plenária, com destaque para uma mulher indígena que veste a camiseta do evento, e outras pessoas com crachás para o alto durante a votação das propostas.

Fonte: Conselho Nacional de Saúde

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